Guerra Civil Moçambicana
Moçambique tornou-se um Estado independente em 25 de Junho de 1975. O Governo da Frelimo, liderado por Samora Machel, estabeleceu um Estado de tipo marxista. No final da década de 70, o Governo apoiou o movimento de libertação da vizinha Rodésia (actual Zimbabwe), permitindo-lhe a utilização de bases em território moçambicano. Em retaliação, a Rodésia armou e treinou a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) liderada por Afonso Dhlakama que organizou inúmeros raids em Moçambique. Quando terminou a luta na Rodésia, a África do Sul - na linha da sua política de desestabilização dos seus vizinhos negros - substituiu-a, passando Pretória a apoiar a Renamo.

Pelos anos 80 a guerra civil sofreu uma escalada e o conflito tornou-se excepcionalmente brutal. Os sistemas de saúde e educativo entraram em colapso e, em muitas regiões, a produção agrícola pura e simplesmente desapareceu. A grande seca de meados da década provocou uma terrível fome. Por 1990, tinha morrido um milhão de pessoas, cerca de 1 milhão e meio de pessoas tinham abandonado os campos e 4 ou 5 milhões tinham deixado o país.

Nesse ano de 1990, alguns factores de ordem externa influenciam o decurso dos acontecimento: a política sul-africana mudou radicalmente e o bloco soviético, principal apoiante da Frelimo, desagregou-se. Perante este novo quadro, a Renamo e a Frelimo tentam encetar negociações de paz. Em 1992 assinaram um tratado de paz que punha formalmente termo à guerra; estabelecia-se um prazo para a desmobilização das tropas e planos para eleições multi-partidárias sob a supervisão das Nações Unidas. A força de paz da ONU foi colocada no terreno e, com ajuda internacional, pôs-se em marcha um programa de repatriação e reestabelecimento dos refugiados.
30-12-2014