Conferência de Lusaca - 1974
Conferência da qual resultou um acordo entre Portugal e Moçambique, assinado a 7 de Setembro de 1974, e cujo principal objectivo era o de conduzir a colónia portuguesa à independência. Do lado português participaram representantes das diversas forças políticas em jogo (Movimento das Forças Armadas, ou MFA, Governo Provisório e Conselho de Estado), enquanto do lado moçambicano o tratado foi apenas assinado por Samora Machel, presidente da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). Se pelo lado português o cumprimento do acordo estava assegurado, pela parte de Moçambique apenas a FRELIMO tinha tido uma palavra a dizer, o que mais tarde traria problemas à nova nação africana, pois outras formações políticas do país, como a RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana) reivindicavam um papel mais activo na formação do novo estado. Precederam o documento diversas reuniões preparatórias entre o então ministro dos Negócios Estrangeiros português, Mário Soares, e o referido presidente da FRELIMO.

O acordo assinado entre os dois países tinha em consideração, acima de tudo, uma condução equilibrada de Moçambique à categoria de país independente. Para tal, optou-se por uma "transferência progressiva de poderes" até essa independência definitiva, prevista para 25 de Junho de 1975. Com vista à manutenção da paz, foram estabelecidos no mesmo documento os órgãos do governo provisório de transição, constituídos por portugueses e moçambicanos. Em termos financeiros, seria criado um banco com capacidade emissora de moeda e Moçambique comprometia-se a cumprir os acordos assinados por Portugal, desde que no interesse da nova nação. Bem delineado no essencial, este plano acabará por revelar algumas falhas, que redundarão numa prolongada guerra civil.
30-12-2014